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  • Renata Gouveia

Afinal, o que é a Constelação Familiar?


Constelação Familiar é uma prática filosófica que desenvolve uma postura de vida que fortalece os indivíduos em seus relacionamentos, na medida em que estes respeitam as premissas contidas em três Leis básicas, que regem todos os relacionamentos humanos e foram nomeadas por Bert Hellinger como Leis do Amor ou Leis da Vida. Bert observou que nenhum sistema admite exclusão.

Quando isso ocorre, através do movimento natural da consciência coletiva, que determina de forma inconsciente muitas das ações dos indivíduos, o sistema buscará compensar essa exclusão.

Fato que muitas vezes irá gerar repetição nos padrões sistêmicos de comportamentos nefastos, por exemplo.

A Constelação, através de sua forma simples e clara, busca trazer para o sistema, seja ele familiar ou organizacional, a inclusão do que estava separado, rejeitado ou esquecido. O movimento de inclusão e reconciliação possibilita liberação dos conflitos ou doenças, gerando força e sucesso aos indivíduos e ao seu sistema.


A essência e base das Constelações é “expor-se ao que se mostra”.


Hellinger afirmava ser um trabalho fenomenológico, construído sob as 3 Leis básicas e naturais do Relacionamento Humano, ou seja, as Ordens do Amor e a forma de lidar com tais Leis dentro dos campos sistêmicos familiares.


É importante ressaltar que tais Leis atuam no âmbito pessoal, e estão presentes em diversos eixos profissionais, como por exemplo apoiando conciliações judiciais através do direito sistêmico e obtendo resultados inspiradores na área da saúde, através do apoio à médicos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais, ao ampliar o olhar desses profissionais e seus clientes em relação aos caminhos da cura e compreensão da sua doença.


Os ensinamentos de Bert Hellinger são baseados na ciência da fenomenologia e em conhecimentos da área da psicologia, biologia, física, entre outros.


Para a prática da Constelação, no que tange à forma como os representantes servem ao cliente, manifestando no corpo as memórias transgeracionais do seu sistema, Hellinger baseou-se na teoria dos campos morfogenéticos.

Porém, o grande insight desse método proposto por ele, é a relevância e influência das 3 Leis Sistêmicas dentro dos relacionamentos humanos, bem como a importância delas para mostrar fatos e desordens de cada um.

Em quais problemas a Constelação pode atuar


A Constelação Familiar permite compreender se determinado problema é de origem sistêmica e se tem relação com sua linhagem familiar.

Ela pode ser utilizada para olhar para os temas da vida humana como: problemas de relacionamento, dificuldades financeiras, carreira, filhos, sintomas e doenças, entre outros assuntos.

No âmbito profissional e pessoal, alguns exemplos de questões a serem consteladas são:


  • Dificuldade do cliente em aderir ao tratamento proposto pelos médicos ou profissionais de saúde;

  • Dificuldade de advogados e juízes em alcançar a resolução de conflitos entre as partes envolvidas em um processo;

  • Questões relacionadas a heranças;

  • Dificuldades conjugais;

  • Conflitos entre pais e filhos;

  • Conflitos entre irmãos;

  • Fracassos profissionais sucessivos;

  • Desgaste de um profissional pela falta de resultados no trabalho e impacto na vida pessoal; Conflitos entre sócios em uma empresa ou problemas financeiros;

  • Pessoas que foram adotadas e possuem dificuldade com os familiares adotivos e com relacionamentos;

  • Problemas de saúde que se repetem ou se agravam e são recorrentes na família.

As Leis Sistêmicas, são leis naturais que se encontram em todas as relações humanas e consideradas como parâmetros necessários para a boa saúde dos relacionamentos.

Elas atuam sem que haja uma hierarquia entre elas, sendo assim, são igualmente importantes.

Conscientes ou não da presença dessas Leis, todos somos submetidos à elas.

Bert Hellinger observou que assim como a lei da gravidade atua independente de nossa vontade ou controle, as Leis Sistêmicas atuam onde há pessoas se relacionando.

Ele nomeou como: Leis do Amor. São elas, Ordem, Pertencimento e Equilíbrio.

Seguindo suas percepções, desenvolveu um trabalho terapêutico conhecido como “Constelações Familiares”.

Com o progresso de suas percepções, tais princípios eram experienciados em outras áreas das relações humanas, obtendo os mesmos resultados e revelando as dinâmicas ocultas, lealdades invisíveis, padrões estabelecidos nos sistemas, proporcionando assim, sucesso quando apreciados e fracassos quando transgredidos.

Segundo essa abordagem, todas as relações são regidas por essas Leis que moldam a vida humana, fazendo-a fluir, porém quando uma delas passa por algum rompimento, transgressão ou quebra, há uma forte tendência de gerar tensão entre os membros de um mesmo sistema familiar, que pode ser facilmente observada através das dificuldades que começam a surgir.

Estar ciente de como elas funcionam e sua importância é essencial para construir relacionamentos mais fluidos.

Esse conhecimento também pode ser a chave para entendermos os acontecimentos e desdobramentos difíceis em nossas vidas.

O porquê de repetirmos os mesmos erros, a falta de foco e também como nos tornamos cada vez mais parecidos com as pessoas da nossa família que desejávamos ser diferentes.

Tudo isso à medida em que lança luz sobre as dinâmicas ocultas que atuam nos sistemas.


Lei da Ordem ou da Hierarquia

Essa lei mostra que cada membro de um grupo familiar tem o seu lugar e um papel a desempenhar. A ordem é estabelecida pela hierarquia, ou seja, pela ordem de chegada no sistema familiar, onde quem vem primeiro tem precedência sobre quem vem depois, ou seja, aqueles que vieram antes tem autoridade sobre quem veio depois. Isso não significa obediência cega e automática, mas antes de tudo, reconhecimento da precedência e respeito. Dessa forma, um pai tem anteposição e autoridade sobre um filho, um avô sobre um neto, um tio sobre um sobrinho, etc. Qualquer inversão de papéis provoca desequilíbrio no sistema. O amor deixa de fluir naturalmente. “Aqueles que vieram antes, tem autoridade sobre os que vieram depois”. Bert Hellinger nos diz: “É nesse momento que pode ocorrer um conflito, quando os que estão em uma posição abaixo se colocam em postura de outros familiares que estão acima”. Muitas vezes, mesmo sendo feito através de gestos de amor ou imaturidade, podem ser considerados como uma arrogância cometida de forma inconsciente. Na prática, por exemplo, essa lei é infringida quando um filho se vê atuando como pai/mãe dos próprios pais ou o irmão que age como pai/mãe do outro irmão. Esse comportamento gera desordem com sérias consequências. Os familiares podem se ajudar, sem que assumam um papel diferente do que receberam ao nascer. Eis aí o lugar de honra e de força vital.

Lei do Pertencimento

Se cada um tem o seu papel e hierarquia na lei da Ordem, na do Pertencimento o fator determinante é o respeito à presença dos membros naquele grupo, determinado pelo vínculo, e isso não pode ser desfeito. Um vínculo é constituído por laços de sangue: nossos pais, filhos, irmãos, meio irmãos, avós, bisavós, etc. O vínculo também pode ser determinado por laços do destino: parceiros atuais e anteriores, onde houve consumação sexual, sobretudo de onde foram concebidos filhos, que sobreviveram ou não; promessas de casamento e amor eterno que não foram cumpridas, estupros, entre outras. Essas situações citadas geram elos que devem ser reconhecidos e respeitados, ocupando um lugar em nosso coração. Também se constitui vínculos, quando alguém contribui com o bem estar de nossa família, de forma positiva como uma herança por exemplo, ou de forma negativa (quando alguém perde a vida pelo bem de alguém do sistema familiar). Dessa forma, todos precisam de um lugar respeitoso em nosso sistema familiar. Nas empresas e organizações há características especiais quanto ao pertencimento, que está condicionado ao tempo de exercício contratual.

“Todo membro de uma família tem o mesmo direito de pertencer.” Bert Hellinger

Pertencer traz segurança e bem-estar, por esse motivo, quando há a exclusão de alguém da família, gera um tensionamento na rede, pois eles devem ser reconhecidos como parte integrante. Isso inclui por exemplo, crianças que não nasceram ou que foram abortadas. Elas fazem parte - mesmo que seja difícil - pertencem ao sistema e devem ser integradas ao grupo.

Lei do Equilíbrio

A lei do equilíbrio fala da troca entre o dar e o receber dentro de um relacionamento entre iguais. Ela pode ser facilmente percebida. Observe quando alguém te dá algo, ou te faz um elogio, nosso movimento natural é agradecer e retribuir, pois nos sentimos pressionados e em dívida. Não agradecemos apenas por exigência social, mas sobretudo pela pressão interna que nos leva a retribuir minimamente. Muitas vezes nos sentimos constrangidos com um elogio, talvez porque não consigamos receber ou porque não nos sentimos em condições de seguir cumprindo as expectativas do outro. Mas sempre reagimos diante das trocas relacionais. Se somos capazes de nos doar em benefício de alguém que amamos, também somos merecedores de receber o que eles têm a nos oferecer em retribuição, ou seja, deve haver reciprocidade. Uma relação sem troca se resume numa espécie de convivência sem o amor que se deixa fluir entre duas pessoas.

“Onde houverem pessoas se relacionando, as trocas entre elas devem ser equilibradas.” Bert Hellinger

Essa lei é infringida quando pessoas se doam demais e consequentemente ficam num lugar onde é difícil receber a dedicação que um dia deram. A proposta do equilíbrio é de se permitir vivenciar o fluxo das relações de experiências vivenciadas a partir da partilha. Existe uma exceção da aplicação desta lei. Trata-se da relação entre pais e filhos, em que os pais dão e os filhos recebem, onde a compensação de retorno por parte dos filhos, vem quando eles se tornam pais. No caso de não terem filhos, a compensação acontecerá servindo a vida com seu trabalho.

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