Guia Prático das Constelações Familiares


Constelação Familiar é uma filosofia aplicada segundo Bert Hellinger, que tem ganho cada vez mais espaço no campo de terapias pessoais e profissionais.

As Constelações Familiares contribuem para a busca de respostas e compreensão da qualidade das relações humanas que cultivamos, bem como da nossa saúde mental, física e emocional. Além disso, conforme o direcionamento abordado, pode proporcionar reflexão sobre como está a nossa jornada pessoal ou profissional.

Mas afinal, o que são Constelações Familiares e as Leis Sistêmicas envolvidas nessa abordagem terapêutica?

A Constelação Familiar foi concebida por Bert Hellinger - filósofo e terapeuta alemão.

Ao longo dos anos, tem proporcionado uma vida mais leve e significativa para as pessoas que buscam ajuda.

A Constelação chegou a todos nós como a prática de um conhecimento filosófico cuja aplicação terapêutica tem permitido - de forma simples e direta - a percepção quase imediata do que ocorre por trás dos desequilíbrios das pessoas ou organizações e que geram dor, conflitos, fracassos.

Através das Constelações Familiares, podemos por exemplo, entrar em contato com as dificuldades de origens sistêmicas que enfrentamos ao longo da nossa trajetória de vida. Acreditamos que seja possível favorecer a vida de pessoas que se sentem sobrecarregadas por conflitos nas relações, que carregam dores na alma, ou mesmo que desejam evoluir em sua jornada de desenvolvimento pessoal e encontrar seu propósito de vida.


O que é Constelação Familiar

Constelação Familiar é uma prática filosófica que desenvolve uma postura de vida que fortalece os indivíduos em seus relacionamentos, na medida em que estes respeitam as premissas contidas em três Leis básicas, que regem todos os relacionamentos humanos e foram nomeadas por Bert Hellinger como Leis do Amor ou Leis da Vida.

Bert observou que nenhum sistema admite exclusão. Quando isso ocorre, através do movimento natural da consciência coletiva, que determina de forma inconsciente muitas das ações dos indivíduos, o sistema buscará compensar essa exclusão. Fato que muitas vezes irá gerar repetição nos padrões sistêmicos de comportamentos nefastos, por exemplo. A Constelação, através de sua forma simples e clara, busca trazer para o sistema, seja ele familiar ou organizacional, a inclusão do que estava separado, rejeitado ou esquecido. O movimento de inclusão e reconciliação possibilita liberação dos conflitos ou doenças, gerando força e sucesso aos indivíduos e ao seu sistema.


Constelações Familiares e as Leis Sistêmicas


A essência e base das Constelações é “expor-se ao que se mostra”. Hellinger afirmava ser um trabalho fenomenológico, construído sob as 3 Leis básicas e naturais do Relacionamento Humano, ou seja, as Ordens do Amor e a forma de lidar com tais Leis dentro dos campos sistêmicos familiares. É importante ressaltar que tais Leis atuam no âmbito pessoal, e estão presentes em diversos eixos profissionais, como por exemplo apoiando conciliações judiciais através do direito sistêmico e obtendo resultados inspiradores na área da saúde, através do apoio à médicos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais, ao ampliar o olhar desses profissionais e seus clientes em relação aos caminhos da cura e compreensão da sua doença. Os ensinamentos de Bert Hellinger são baseados na ciência da fenomenologia e em conhecimentos da área da psicologia, biologia, física, entre outros. Para a prática da Constelação, no que tange à forma como os representantes servem ao cliente, manifestando no corpo as memórias transgeracionais do seu sistema, Hellinger baseou-se na teoria dos campos morfogenéticos. Porém, o grande insight desse método proposto por ele, é a relevância e influência das 3 Leis Sistêmicas dentro dos relacionamentos humanos, bem como a importância delas para mostrar fatos e desordens de cada um.


Em quais problemas a Constelação pode atuar

A Constelação Familiar permite compreender se determinado problema é de origem sistêmica e se tem relação com sua linhagem familiar. Ela pode ser utilizada para olhar para os temas da vida humana como: problemas de relacionamento, dificuldades financeiras, carreira, filhos, sintomas e doenças, entre outros assuntos. No âmbito profissional e pessoal, alguns exemplos de questões a serem consteladas são:

Dificuldade do cliente em aderir ao tratamento proposto pelos médicos ou profissionais de saúde;

Dificuldade de advogados e juízes em alcançar a resolução de conflitos entre as partes envolvidas em um processo;

Questões relacionadas a heranças;

Dificuldades conjugais;

Conflitos entre pais e filhos;

Conflitos entre irmãos;

Fracassos profissionais sucessivos;

Desgaste de um profissional pela falta de resultados no trabalho e impacto na vida pessoal;

Conflitos entre sócios em uma empresa ou problemas financeiros;

Pessoas que foram adotadas e possuem dificuldade com os familiares adotivos e com relacionamentos;

Problemas de saúde que se repetem ou se agravam e são recorrentes na família.

Para profissionais da saúde, a Constelação Familiar pode trazer ganhos no atendimento aos clientes.

Por meio da visão sistêmica da saúde torna-se possível, muitas vezes identificar o que originou os sintomas ou a doença do cliente, através da percepção dos vínculos de fidelidade a algo ou alguém em seu sistema familiar, potencializando a ressignificação dessas identificações que o levam a adoecer. É uma forma de levar conhecimento sobre a importância do sistema familiar nas dinâmicas das enfermidades, de modo que a expansão da compreensão conduza à melhoria física. A Constelação Familiar foi incluída entre os serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em março de 2018. Junto a outras práticas integrativas já oferecidas, a Constelação contribui para a prevenção à saúde e melhora do quadro das famílias


As Leis Sistêmicas

São Leis naturais que se encontram em todas as relações humanas e consideradas como parâmetros necessários para a boa saúde dos relacionamentos. Elas atuam sem que haja uma hierarquia entre elas, sendo assim, são igualmente importantes. Conscientes ou não da presença dessas Leis, todos somos submetidos à elas. Bert Hellinger observou que assim como a lei da gravidade atua independente de nossa vontade ou controle, as Leis Sistêmicas atuam onde há pessoas se relacionando. Ele nomeou como: Leis da Vida ou Leis do Amor. São elas, Ordem, Pertencimento e Equilíbrio. Seguindo suas percepções, desenvolveu um trabalho terapêutico denominado inicialmente como “colocar a família na posição”. Na tradução para outras línguas passou a ser conhecido como “Constelações Familiares”. Com o progresso de suas percepções, tais princípios eram experienciados em outras áreas das relações humanas, obtendo os mesmos resultados e revelando as dinâmicas ocultas, lealdades invisíveis, padrões estabelecidos nos sistemas, proporcionando assim, sucesso quando apreciados e fracassos quando transgredidos.


Constelações Familiares e as Leis Sistêmicas 

Segundo essa abordagem, todas as relações são regidas por essas Leis que moldam a vida humana, fazendo-a fluir, porém quando uma delas passa por algum rompimento, transgressão ou quebra, há uma forte tendência de gerar tensão entre os membros de um mesmo sistema familiar, que pode ser facilmente observada através das dificuldades que começam a surgir. Estar ciente de como elas funcionam e sua importância é essencial para construir relacionamentos mais fluidos. Esse conhecimento também pode ser a chave para entendermos os acontecimentos e desdobramentos difíceis em nossas vidas. O por quê de repetirmos os mesmos erros, a falta de foco e também como nos tornamos cada vez mais parecidos com as pessoas da nossa família que desejávamos ser diferentes. Tudo isso à medida em que lança luz sobre as dinâmicas ocultas que atuam nos sistemas. Para uma melhor compreensão, conheça um pouco mais sobre as 3 Leis: Constelações Familiares e as Leis Sistêmicas 

Lei da Ordem ou da Hierarquia

Essa lei mostra que cada membro de um grupo familiar tem o seu lugar e um papel a desempenhar. A ordem é estabelecida pela hierarquia, ou seja pela ordem de chegada no sistema familiar, onde quem vem primeiro tem precedência sobre quem vem depois, ou seja, aqueles que vieram antes tem autoridade sobre quem veio depois. Isso não significa obediência cega e automática, mas antes de tudo, reconhecimento da precedência e respeito. Dessa forma, um pai tem anteposição e autoridade sobre um filho, um avô sobre um neto, um tio sobre um sobrinho, etc. Qualquer inversão de papéis provoca desequilíbrio no sistema. O amor deixa de fluir naturalmente. “Aqueles que vieram antes, tem autoridade sobre os que vieram depois”. Bert Hellinger É nesse momento que pode ocorrer um conflito, quando os que estão em uma posição abaixo se colocam em postura de outros familiares que estão acima. Muitas vezes, mesmo sendo feito através de gestos de amor ou imaturidade, podem ser considerados como uma arrogância cometida de forma inconsciente. Na prática, por exemplo, essa lei é infringida quando um filho se vê atuando como pai/mãe dos próprios pais ou o irmão que age como pai/mãe do outro irmão. Esse comportamento gera desordem com sérias consequências. Os familiares podem se ajudar, sem que assumam um papel diferente do que receberam ao nascer. Eis aí o lugar de honra e de força vital. Se cada um tem o seu papel e hierarquia na lei da Ordem, na do Pertencimento o fator determinante é o respeito à presença dos membros naquele grupo, determinado pelo vínculo, e isso não pode ser desfeito. Um vínculo é constituído por laços de sangue: nossos pais, filhos, irmãos, meio irmãos, avós, bisavós,etc. O vínculo também pode ser determinado por laços do destino: parceiros atuais e anteriores, onde houve consumação sexual, sobretudo de onde foram concebidos filhos, que sobreviveram ou não; promessas de casamento e amor eterno que não foram cumpridas, estupros, entre outras. Essas situações citadas geram elos que devem ser reconhecidos e respeitados, ocupando um lugar em nosso coração. Também se constitui vínculos, quando alguém contribui com o bem estar de nossa família, de forma positiva como uma herança por exemplo, ou de forma negativa (quando alguém perde a vida pelo bem de alguém do sistema familiar). Dessa forma, todos precisam de um lugar respeitoso em nosso sistema familiar. Nas empresas e organizações há características especiais quanto ao pertencimento, que está condicionado ao tempo de exercício contratual. “Todo membro de uma família tem o mesmo direito de pertencer.” Bert Hellinger Pertencer traz segurança e bem-estar, por esse motivo, quando há a exclusão de alguém da família, gera um tensionamento na rede, pois eles devem ser reconhecidos como parte integrante. Isso inclui por exemplo, crianças que não nasceram ou que foram abortadas. Elas fazem parte - mesmo que seja difícil - pertencem ao sistema e devem ser integradas ao grupo.


Lei do Pertencimento

A lei do equilíbrio fala da troca entre o dar e o receber dentro de um relacionamento entre iguais. Ela pode ser facilmente percebida. Observe quando alguém te dá algo, ou te faz um elogio, nosso movimento natural é agradecer e retribuir, pois nos sentimos pressionados e em dívida. Não agradecemos apenas por exigência social, mas sobretudo pela pressão interna que nos leva a retribuir minimamente. Muitas vezes nos sentimos constrangidos com um elogio, talvez porque não consigamos receber ou porque não nos sentimos em condições de seguir cumprindo as expectativas do outro. Mas sempre reagimos diante das trocas relacionais. Se somos capazes de nos doar em benefício de alguém que amamos, também somos merecedores de receber o que eles têm a nos oferecer em retribuição, ou seja, deve haver reciprocidade. Uma relação sem troca se resume numa espécie de convivência sem o amor que se deixa fluir entre duas pessoas. “Onde houverem pessoas se relacionando, as trocas entre elas devem ser equilibradas.” Bert Hellinger Essa lei é infringida quando pessoas se doam demais e consequentemente ficam num lugar onde é difícil receber a dedicação que um dia deram. A proposta do equilíbrio é de se permitir vivenciar o fluxo das relações de experiências vivenciadas a partir da partilha. Existe uma exceção da aplicação desta lei. Trata-se da relação entre pais e filhos, em que os pais dão e os filhos recebem, onde a compensação de retorno por parte dos filhos, vem quando eles se tornam pais. No caso de não terem filhos, a compensação acontecerá servindo a vida com seu trabalho. 

Benefícios de ser "representante" nas Constelações Familiares


Nas Constelações Familiares realizadas em grupo, há um número de vagas para as pessoas interessadas em trabalhar uma questão pessoal, e um número de vagas para pessoas que querem participar, ser “representante”. A pessoa que trás sua questão, dizemos que irá “constelar”, e os participantes serão “representantes”, ou seja, irão desempenhar o papel de membros da família da pessoa.

A partir do tema/questão, que o cliente trás, o facilitador, também chamado de Constelador, irá escolher pessoas para interpretar papéis ou situações familiares. Depois que essa primeira imagem é montada, os representantes podem se movimentar de acordo com o que sentem.

Chamamos de “campo” esse ambiente que se cria com o conjunto de representantes desempenhando seus papéis da família do cliente, onde é possível obter informações do sistema familiar como crenças, padrões, lealdades, conexões com ancestrais, e o lugar que você ocupa nessa família.

Ao ocuparmos o lugar de representante em uma Constelação Familiar temos a oportunidade de olhar para as situações de uma perspectiva diferente. Despertamos em nós a possibilidade de olhar de outra forma e de compreender escolhas e vivências que não havíamos experienciado. Colocamo-nos no lugar do outro, e abrimos espaço interno para aceitação de outros modos e jeitos de ser.

Ao final de uma Constelação, uma moça que havia representado o lugar de um marido, disse: “nossa, foi muito importante ocupar esse lugar. Eu estou me separando e não tinha parado para olhar da perspectiva dele. Agora consigo entender muitas coisas...”.

Brinco que ao representarmos “pegamos carona terapêutica” com a Constelação dos outros. De uma forma sincrônica participamos de encontros e somos chamados para representar papéis que podem ter uma relação com nosso próprio sistema familiar, e desse modo temos a chance de nos desenvolvermos também.

Outro aspecto interessante é a oportunidade de compreender melhor o “pensamento sistêmico”. A Constelação propõe um novo olhar para as situações, uma visão de mundo. Participar de apenas uma vivência, ou fazer uma Constelação não é suficiente para incorporarmos uma nova forma de nos colocarmos diante da vida e dos conflitos cotidianos. Por isso, ao participar dos encontros de Constelação você também se desenvolve e amadurece emocionalmente.

Para aqueles que desejam fazer a formação e se tornar um Constelador a vivência como representante é fundamental para que a pessoa aprenda a sentir o campo, entrar e sair dos papéis com facilidade e fluidez. Isso será de grande valia para afinar o olhar e aprender a identificar as dinâmicas sistêmicas que se apresentam.

 

Tudo o que você precisa saber sobre as constelações familiares

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